Oi, velho coração.

Hello, my old heart

How have you been?

Are you still there inside my chest?

I've been so worried, you've been so still

Barely beating at all


Eu não sou uma pessoa romântica, mas gosto de dizer o que sinto e mostrar meus sentimentos através de ações. 

Eu não sou uma pessoa romântica, mas me emociono com filmes, músicas e livros. 

Eu não sou uma pessoa romântica, definitivamente, mas tenho escrito poesias para o homem que eu amo.


No momento exato em que me sentei nessa cadeira desconfortável, The Oh Hellos começou a cantar Hello My Old Heart. Sempre me impressiono com o quanto a vida me envia sinais. Eu me sentei aqui para escrever sobre o meu velho coração, enquanto a chuva de outono cai junto com as folhas amareladas lá fora. Não sei como fazer isso sem me sentir embaraçada, assustada e tímida. Isso ficará longo, então eu devo começar agora. 


Enquanto cozinhava o meu almoço alguns meses atrás, uma amiga me enviou uma foto de uma das páginas do livro Amor e resiliência. Um dos capítulos fala sobre amor, sobre como sustentamos uma máscara para esconder nossa fragilidade e solidão. Esse capítulo fala sobre como a autora encontrou liberdade no amor, em se apaixonar. Uma frase no final do capítulo me fez pensar em mim mesma, aliás, todo o capítulo, e então eu tive lágrimas nos olhos. 

“Foi preciso me perder em ti para poder me encontrar em mim.” 


Eu poderia ter escrito aquelas palavras para você. Aquelas palavras explicam tudo que a sua presença transformou em mim. Essa é a importância que você teve e tem na minha vida. Esse lugar especial sou eu quem dou a você sem que seja necessário reciprocidade. Sem que seja necessário você sorrir de volta. É seu. Você conquistou isso quando me enxergou do jeito que eu deveria fazer por mim mesma. Tudo que aprendi, mas em muitas vezes duvidei, você me trouxe como certeza. Expandi meus próprios horizontes como resultado de ter te conhecido. 


Me lembro de te perguntar “porquê eu?” e você responder “você já se olhou no espelho?”. 

Velhos hábitos são difíceis de desfazer. Tudo isso não foi sobre amar você, foi sobre me amar. Sobre o que você disse que eu deveria fazer por mim e como me enxergar.


Quando entramos na vida de alguém não imaginamos o bem ou o mal que podemos fazer a ela. Mas temos de estar cientes de que nossa permanência trará consequências. 


Quando falei com você pela primeira vez não imaginei que em algum momento eu poderia me sentir como me sinto hoje. Os seus lábios me faziam pensar em como seria bom beijar você, então, muitas vezes quis entrar em um avião e ir até você. Muitas vezes quis tocar seu corpo além da tela do meu celular. Muitas vezes quis fazer cócegas em você só para poder ouvir sua risada, um dos meus sons favoritos, e depois beijá-lo.


Muitas vezes imaginei como seria a sensação do seu toque, de ter seu corpo sobre o meu e, como você mesmo já quis saber, como seria o toque dos meus cabelos na sua pele. Muitas vezes eu quis deslizar meus dedos e beijar todas as suas cicatrizes e saber o quanto você é bom em mais uma das milhares de coisas que você faz. Eu quis te ouvir cantar aquela canção da qual você sempre me falava. 


Eu te quis com tanta intensidade que isso ainda me assusta. Nunca soube o que fazer ou como reagir a isso. Mas eu sei que me sentia sem ar todas as vezes que olhava pra você. Seria aquele sentimento amor?


Eu amava as suas respostas completas. Você sempre responde com textos grandes e não monossílabos, como se realmente quisesse que todos saibam o que você pensa.

Você tem sempre algo interessante a dizer, mesmo quando é pra dizer apenas a sua cor favorita.

Eu ainda amo sua risada. Você ri de verdade, o tipo de risada que vem de dentro, honesta como só as crianças sabem fazer.

Você é observador e várias vezes me deixou sem palavras por notar em mim coisas que eu nunca digo e que pessoas ao meu redor não percebem. E eu queria ser tão perspicaz como você é, então eu poderia ter percebido o quanto você seria perigoso pra mim. 

Você me deixava curiosa pela sua essência como ser humano e homem. Pois, assim como eu, você também sempre teve muito a dizer. 

Você sempre me pedia para falar o que eu pensava e sentia e eu apreciava isso. Talvez fosse uma forma de saber quais eram meus pontos fracos. Mas, infelizmente, eu gosto de falar. E mesmo não dizendo claramente que eu te amava, eu nunca soube guardar o que penso e quero apenas pra mim e não dizê-lo para a pessoa que está em minha mente no momento. E, naquele momento,  você era essa pessoa.


Eu queria você, e te disse que estaria aqui apenas enquanto você estivesse. Eu queria você, uma ou quantas vezes fosse bom para nós dois. Não apenas para um de nós. 


Como sabemos quando amamos alguém? Amor é quando todas as pequenas coisas sobre a pessoa, todas as peculiaridades dela te fazem querer ficar?


Eu deveria ter feito uma lista de prós e contras sobre você, como alguns sites e revistas dizem para eu fazer? Eu deveria ter observado o nosso relacionamento com uma visão objetiva e avaliado como você afetava as minhas emoções e ações? 

Penso que todas as respostas estavam no quanto eu sentia a sua falta quando você não estava presente. No quanto eu mantinha o sorriso bobo sempre que você me ligava.


Você disse que me diria a verdade em todas as circunstâncias e eu te prometi a mesma coisa, mas eu não fiz. Provavelmente ambos não fizemos. Eu nunca te disse que me apaixonei por você, talvez eu não precisasse dizer. Eu me apaixonei por você, então eu amei você em minha mente. Apenas eu. Falar sobre isso me assustava e ainda me assusta. Falar sobre isso significava te afastar no momento em que eu mais precisava de você por perto, porque eu precisava de mim mesma também.


Quando você disse “você me ama”, em tom de afirmação, eu quase disse que sim, que eu amava, mas então eu te disse que não, muitas vezes. Neguei a realidade dos meus sentimentos por você, assim como nunca digo seu nome em voz alta ou para outra pessoa. Assumir estar apaixonada por você implicava muitas coisas que naquele momento ambos não saberíamos como lidar. Ninguém nunca havia alcançado a minha mente como você fez. Isso me assustou. Não tenho muitas experiências sobre amor, paixão e relacionamentos. Eu sempre fugi dessa parte tão importante da vida. Mas você me encontrou e me deu a liberdade necessária para aprender sobre tudo isso. Eu poderia listar uma dúzia de razões para eu estar interessada e amar você. Eu poderia ir à lua caminhando se você tivesse me pedido. Era como viver em meio a chamas, porque tudo em mim queimava o tempo todo. 


Eu nunca quis parecer legal ou alguém que eu não era. Eu descobri que estava apaixonada por você quando ouvi Noah Gundersen cantar Golden Lonesome e, se não me falha a memória, eu compartilhei essa música em uma de nossas conversas. Como diz a música, eu não sabia o que fazer comigo mesma. Sempre que surgia uma notificação de mensagem no meu celular, eu sentia meu coração quase parar. Eu estava assustada, mas eu me sentia viva. Eu amava acordar com suas mensagens de bom dia apitando em meu celular. Eu amava todas as fotos que você me enviava e eu amava ver você vestindo moletom com capuz. Era a coisa mais sexy que eu já tinha visto em toda a minha vida. 


Algumas vezes você me assustava. Sua intensidade me assustava. Eu não sabia quão sério você estava falando para toda as coisas que me pedia. Mas o que mais me assustou foi eu dizer “sim” para quase todas elas, principalmente aceitar o seu pedido para eu ir te ver em outro país. 


De repente eu não tinha mais as nossas conversas e isso doeu. Eu perdi o meu melhor amigo, eu não tinha mais as conversas com o homem que eu amava. Eu conheci outras pessoas, mas sempre pensava em você e as amizades pareciam distantes demais. Coloquei meu orgulho de lado e te enviei várias mensagens, mas não obtive respostas. Algum tempo depois, você me enviou dois vídeos e disse que estava bêbado. Silêncio novamente. As nossas conversas se tornaram silenciosas. Isso era irônico. 


Muitas vezes eu senti que estávamos brincando de caçar e eu era a presa. Muitas vezes eu acreditei que você não estava interessado em mim, mas no poder que tinha sobre minhas emoções, mesmo que eu não admitisse meus sentimentos em voz alta.


Então eu conheci outra pessoa e dia após dia eu pensava menos em você. Então, como uma brincadeira sem graça e no momento errado, você reapareceu e confundiu a minha mente. Você se mostrou interessado depois de meses de silêncio. Porque você me procurou depois de todo aquele tempo? Eu queria te encontrar no exato momento em que você me enviou aquela foto. Eu perdi a concentração em tudo que eu estava fazendo e meu corpo queria você. Eu queria gritar e chorar e sentir raiva, tudo ao mesmo tempo. Eu senti raiva de você por falar comigo e querer estar comigo depois de todo aquele silêncio. Eu senti raiva de você por falar comigo quando eu estava me apaixonando por outra pessoa. Eu senti raiva de você quando me disse que queria continuar. Eu senti raiva de você, porque eu queria você mais do que eu já quis qualquer coisa na vida. Mas eu não quis falar com você quando você me ligou naquele domingo de manhã, porque eu te diria “sim”. 


Eu não consegui estar com outra pessoa por um longo tempo, eu só pensava em você e comparava todas as conversas e momentos com os que tivemos. Ninguém parecia inteligente o suficiente, me conhecer o suficiente, ligar o meu corpo o suficiente, interessante o suficiente. Ninguém parecia bom o suficiente. Mas aconteceu novamente. Tudo que eu sinto, eu sinto completamente. É sempre tudo ou nada. Eu não queria estar com alguém pela metade. 

Então eu disse não para você. 


Eu me sinto livre com você. Eu posso falar o que eu quiser, ser como eu sou. Não consigo compreender porque você desperta isso em mim. Se eu pudesse escolher apenas uma palavra para descrever você em minha vida, isso seria fogo. É assim que eu me sinto sobre você. Fogo. Selvagem. Livre. Em todos os aspectos. 


Poucas pessoas tiveram e tem de mim todas as emoções e pensamentos que você teve e ainda tem, afinal, ainda estou aqui escrevendo textos do tamanho da bíblia. 

Muito dos meus sentimentos mudaram, mas eu ainda amo a importância que você tem em minha vida, por tudo que enxergou em mim e me impulsionou a sair da minha zona de conforto. 


Hoje percebi algo que, sendo honesta, eu já sabia, quando é sobre você, nada em mim faz sentido. 


Muita coisa mudou. Estou aprendendo a lidar com uma coisa de cada vez, sem varrer o que é importante para debaixo do tapete e deixar para solucionar depois. Talvez isso seja crescer e assumir responsabilidades. 

Temos de ser cautelosos com o que aceitamos e com o que damos de volta às pessoas. Em um mundo onde é tão fácil esquecer relações, é fácil confundir sentimentos ou simplesmente nos jogarmos neles porque queremos experimentar algo tão grandioso quanto o amor. Mas penso que é importante sempre, sempre mesmo, dizer quando e o quanto alguém é importante para nós. Se essa pessoa vai retribuir tudo que damos, é algo que foge do nosso controle. Mas a sensação de fazer a nossa parte é estimulante. Sentimentos devem ser vividos e demonstrados, não internalizados. 












Comentários

  1. Uau! Eu li tudo. Nossa, é bom e ruim ter esse tipo de pessoa em nossos pensamentos. É algo que nos prende à ela, que não sabemos definir.

    Bom fim de semana!


    Jovem Jornalista
    Instagram

    Até mais, Emerson Garcia

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  2. Olá! Obrigada por ler. :)
    O sentir é intenso e complexo.

    beijos!

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