Nada Está Perdido

Não durmo bem há alguns dias. 
Honestamente, nunca dormi bem, mas há momentos de altos e baixos. Estou inquieta, muitos pensamentos rondando, muitos sentimentos aflorando. O último mês tem sido intenso e, às vezes, sinto que só as músicas de Noah Gundersen e a minha playlist de músicas para sentir não tem sido o suficiente pra deixar minhas emoções fluírem. Tô transbordando sentimentos, angustias, palavras, medos, saudades, alegrias. Tudo se mistura e ferve dentro de mim. São tempos estranhos. Por vezes me sinto vazia e confusa, mesmo tendo tanto e meu lugar seguro no mundo. 

Meu aniversário está chegando, e com ele meu tempo de reflexão é mais intenso. Avalio o que quero levar comigo e o que quero deixar para trás no meu (re)nascer. É tempo para mais emoção e empatia, menos argumentos racionais. É tempo para explorar mais a fundo o meu mundo interior. Isso tem sido uma constante em minhas noites. O último mês me cercou de pessoas novas, também me trouxe de volta pessoas e sentimentos antigos que tenho relutado deixar ir por já ter me feito bem um dia. 

Noite passada senti o coração ser massacrado de saudade de minha filha, a chacina se estendeu até minhas amigas e quando dei por mim, tinha deixado de lado o texto em que estava trabalhando e fui me embrenhar nas memórias aprisionadas em velhas fotografias. Sorri sozinha no sofá, às cinco da manh
ã, o dia sequer tinha clareado. Então chorei, aquele choro silencioso, que dói, que limpa, que diz o que precisa ser dito. Postei algumas fotos, vi alguns videos antigos e escrevi algumas palavras para não deixar que minhas amigas se esqueçam do quanto a minha vida é melhor com elas. 

Costumo ser muito boa com as palavras, mas elas sempre me faltam quando é sobre amizade. Lágrimas sempre surgem onde as palavras deveriam fluir facilmente. Mas eu fiz, eu precisava fazer. Não precisava afirmar a minha lealdade, estamos acima de afirmações, mas eu precisava dizer sobre a saudade que sinto, já se foram cinco anos desde a ultima vez em que estivemos juntas fisicamente. 

Escrevi sobre minhas amigas, gargalhei vendo um vídeo antigo de minha filha, deixei que as lágrimas me trouxessem paz. Então eu voltei para o meu texto para falar de amor, um amor roubado, não vivido, inexplicado. Talvez eu fale demais sobre amor, mas o amor me conforta, mesmo quando ele é desconfortável.

Decidi que compartilharia aqui a minha saudade e o meu texto sobre amor. Eu não sei bem onde um termina e o outro começa, talvez os dois estejam entrelaçados ou apenas foram inventados para encher esta página com palavras digitadas em linhas retas. Nada está perdido quando se é um escritor. 

Eu não quero falar sobre isso, não quero pensar sobre isso, mas isso está aqui, me lembrando que deve ser algo a ser resolvido. Não há como dar um passo em direção ao futuro se meus tornozelos estiverem acorrentados ao passado. 


Liberdade para ser quem sou, liberdade  para não me prender a fronteiras geográficas, liberdade para não gostar de algo ou alguém, liberdade para não me submeter aos pensamentos alheios, liberdade para não me sujeitar às convencionalidades. 

Eu nunca fui aquela menina doce, eu sempre fui um furacão, aqueles de categoria cinco. Que muitas vezes, por não enxergar onde piso, me destruo por viver em máxima intensidade, sem dizer “não” para qualquer chance de aventura.

Apesar de não ter medo de amar, tenho medo do amor, pois não sei disfarçar sentimentos, vontades, pensamentos e palavras. Não sei me prender, me podar, me privar. Preciso demonstrar para que possa me sentir não só livre como também motivada. Não sei compactar e guardar, nasci inquieta. Filha de Júpiter, o gigante Zeus, o planeta que rege Sagitário, o signo da expansão. Muitas vezes me falta limites, pois, até de errar eu gosto. Nasci sentindo muito, o morno não me atrai, ou é quente ou é frio. E por sentir muito, sou desconfiada, não permito proximidade.

Como diz A Astróloga, “Altivo, dono da verdade, às vezes é difícil convencer-lhe de que está no caminho errado. Como em tudo, também são exagerados no amor. Quando amam, amam muito. Sua libido é intensa. Para Sagitário, a vida é um filme de natureza selvagem, cheio de paisagens incríveis, surpresas e flores pelo caminho. “

Então você aterrissou em minha vida como um desastre aéreo, despertando curiosidade, aventura e confusão. Meu tipo de desastre favorito. Destemida, atravesso continentes e fecho portas sem olhar para o que ficou lá dentro. Entretanto, você se tornou a porta que ainda não pude fechar. Você alcançou a minha mente e conquistou o que jamais dei a outra pessoa. Essa invasão me assusta. Você me assusta. Esse temor é advindo de inseguranças e medos inconscientes, pois jamais me permiti ir tão fundo, e você é intenso. Esse sentimento me inquieta, é desconfortável, confuso e doloroso até. É o meu lado sagitariano aflorado, demonstrando a famosa dificuldade para se amarrar. 

Justo eu, que sempre me mantive em relacionamentos rasos, me vi afogada em você, inundada pela sua presença que me sufoca e me faz querer gritar. Agora não sei o que fazer para tomar de volta toda a liberdade que te dei. Talvez seja a minha Lua em escorpiao que muda o meu foco para a nossa relação inexistente, para a importância que você tem, não me permitindo ficar calada - ou distante -. Preciso ser articulada, pois, é na troca de sentimentos e pensamentos que aprendo a viver.

Nesse desastre, você se misturou aos meus vícios e eu já não sei mais separar o que é você ou o que é razão. Mas que razão? Ser racional nunca foi meu forte. Racionalidade e desejo não caminham juntos, eles automaticamente se repelem. 

O que fazer quando alguém não sai da sua mente, não importa quão forte você tente? O que fazer quando apenas a voz daquela pessoa te acende como queimadas em clima seco? O que fazer quando tudo o que você pode fazer é não fazer nada? 

Eu te quero, mas não quero acordar ao seu lado todos os dias. Eu não quero estar na sua cama, a cidade tem muitos lugares para explorar. Eu não quero a tua mão na minha se nossas roupas não estiverem no chão.

Eu te observo de longe e me sinto feliz por você, felicidade genuína, daquelas que enche o peito de carinho. E tudo que eu sei é que eu não tenho ciúmes ou quero estar em qualquer posição que não seja aquela que eu costumava ocupar. Mas eu quero você, quero tanto que até dói. Quero as tuas palavras, o teu corpo, a tua sagacidade. Quero tudo, na mesma medida.

Dizem que amores não consumados são os que mais consomem a alma e tornam difícil de esquecer. Mas será que é amor, capricho, desejo pelo proibido ou apenas velhos hábitos e aquela mania de flertar com o diabo? Como eu deveria chamar esse sentimento que me tira a paz? 
Uma das características mais visíveis no ser humano é querer aquilo que não pode ter. O intocável, inatingível, mesmo que no final não seja tão bom, porque não é a glória da conquista que faz o caminho ser inesquecível. É o nível de dificuldade do percurso. 

Você não está por perto. Por que eu ainda quero você? Você me empurra para longe, eu deveria te empurrar de volta. Isso não deveria doer. 

Eu deveria criar a minha própria versão de 10 coisas que eu odeio em você, ou apenas pega-las emprestadas, já que elas me servem tão bem. Porque eu odeio o modo como você fala comigo, mas eu também odeio quando você não diz nada. Eu odeio como seus lábios carregam o fogo que tenho dentro de mim. Odeio como teus olhos me paralisam. Odeio que você desperte em mim a selvageria que tantas vezes tentei sufocar. Odeio que com você a minha confusão é mais organizada, mesmo que meu desejo seja um vulcão em atividade. Eu odeio como você é observador e lê a minha mente. Odeio te sentir sempre por perto, mas te odeio mais por não estar aqui.

Mas eu odeio principalmente
Não conseguir te odiar
Nem um pouco
Nem mesmo por um segundo
Nem mesmo só por te odiar"

Eu não te quero como amor, tampouco como amante, mas eu te quero. Quero te encontrar naquele velho lugar onde nosso desejo e noites sem dormir se misturam às minhas fotos nua. Onde novas palavras, que você não lê, ecoam a vontade de sempre, de arrancar sua roupa, de te beijar a boca, de me sentir em você. 


Este post foi escrito com base no tema "Coisas não ditas", do Desafio Criativo proposto pelo Projeto Escrita Criativa.








Comentários

  1. Pensamentos viscerais! Me identifiquei muito com o não querer nada morno. Ou é quente ou é frio, morno realmente também não me atrai, mas não tenho nada de sagitário no mapa. Espero que esse desejo seja consumado ou consumido, a agonia do não ter desse tipo de amor é excruciante!

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  2. Minha ferida em um texto. Eu me vejo na tua escrita e o gargalo do meu coracao (minha garganta), fica mais leve, por alguem conseguir colocar em palavras, tudo o que eu queria dizer. Tu é maravilhosa!

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