Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT)

Não é amor.

É o jeito como você me acolhe quando quero sair da minha mente e sentir apenas o meu corpo.
É o jeito como você me faz sentir livre quando não preciso acender as luzes para me sentir segura.
É o jeito como eu confio em você e à você cada pedaço de mim e todas as minhas incertezas, mesmo sabendo que nossas falhas podem causar uma catástrofe maior que um terremoto.
É o jeito como você me faz sentir que nada aqui está errado.

Noite passada tive mais um pesadelo, os traumas de sempre, e mais uma vez acordei chorando. Assim que abri os olhos angústia, medo e vazio tomaram conta do meu mundo e me questionei se algum dia esse Deus que não acredito, já tenha sequer olhado em minha direção ou se continuamos sendo apenas dois estranhos respeitando o espaço um do outro. 
Meu primeiro pensamento de conforto foi você, exatamente como tem acontecido nos últimos anos.
Você me faz sentir viva e livre. Te digo isso com honestidade. Todas as outras coisas desaparecem e o que você faz e diz é tudo que consigo ouvir e sentir. É minha dormência emocional temporária, quando viver dentro de mim mesma me exige muita coragem. Dizem que o que não nos mata, nos fortalece. Entretanto, não tenho me sentido forte, talvez em outros dias, hoje não.  Mas com você eu sou livre. Livre de tudo que me atormenta quando você não está ao redor. São todas essas coisas que me convencem a ficar. E depois de cada pesadelo, essa sensação é tudo que preciso para acalmar o pavor que me consome.

Como em um acordo silencioso, o clima lá fora reflete o meu humor. As nuvens choram canções de Noah Gundersen aqui dentro. Respiro aliviada. Se você não está aqui, prefiro ficar sozinha e me misturar às letras de minhas músicas favoritas a ter de sorrir sorrisos que meu rosto está cansado demais para forçar.

Então eu continuo aqui. Dependente. Como um bêbado à espera do último drink, implorando mentalmente por alguns minutos de alívio.
dessa vez não virá através de você.

Não é amor.
Apenas deixamos de lado nossos demônios famintos enquanto saciamos nosso caos, ambos preenchendo a solidão e nosso ego na companhia um do outro, sem medo de sermos deixados na manhã seguinte por sermos quem somos.
Você me procura porque se sente solitário e precisa de um lugar onde possa ser você mesmo e eu o aceito porque preciso da mesma coisa e não sei o que fazer comigo mesma.

Nunca foi amor.
Mas eu te amo, mesmo sem te amar.
Pois no final das contas, somos apenas humanos.
Você não partiu meu coração, talvez ele nunca tenha sido inteiro.




Comentários

  1. Tão forte e poderoso que não sei nem o que comentar.

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    1. Esse é um dos meus sentimentos e textos mais honestos.
      Obrigada por ler, significa muito pra mim.

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